Grupo Dom Bosco: JESUS, REI DE AMOR

domingo, 21 de maio de 2017

JESUS, REI DE AMOR


Pe. Mateo Crawley-Boevey

A ENTRONIZAÇÃO
Em que consiste - Sua importância - Sua prática. 

Em que consiste

A Entronização pode definir-se: o reconhecimento oficial e social da soberania do Coração de Jesus sobre uma família cristã.

Reconhecimento afirmado, tornado sensível e permanente pela instalação solene da imagem desse Coração divino no lugar de honra e pelo ato de consagração. 

Foi o próprio Deus de misericórdia que disse: que, sendo a fonte de todas as bênçãos, Ele as distribuiria em abundância em todos os lugares onde fosse colocada a imagem do seu Coração para ser amada e honrada.

Disse ainda: “Eu reinarei apesar dos meus inimigos e de todos aqueles que se quiserem opor”.

A Entronização não é então outra coisa senão a inteira realização do conjunto dos pedidos feitos pelo Sagrado Coração em Paray-le-Monial e das promessas magníficas que acompanharam esses pedidos. 

Padre Mateo

Digo o conjunto, porque a família a santificar é o objetivo transcendente de todos esse apostolado: célula social, ela deve ser o primeiro trono vivo do Rei de amor. 

Para transformar, para salvar de novo o mundo, é preciso que o Natal se perpetue, que o Emanuel, o Jesus do Evangelho habite sempre entre nós. 
É preciso, para chegar-se ao Reino Social de Jesus Cristo, retomar a sociedade pela base e refazer a família cristã.

É pela família que se afirma e se mede o valor de um povo. O povo vale o que vale a família.



Dizia-me um grande convertido: “Padre, o senhor nunca poderá exagerar a importância da cruzada que está pregando. Deixamos de boa vontade para os católicos as igrejas, as capelas, as catedrais; basta-nos, para perverter a sociedade, possuir as famílias. Se nisso formos bem sucedidos, acabou-se a vitória da Igreja.”

Oh! Como será sempre verdadeira esta palavra de Jesus: “Os filhos deste século são mais prudentes que os filhos da luz.”

O grande mal da nossa sociedade é que ela perdeu o sentido do divino. Que remédio dar a esse mal? Voltar a NAZARÉ.

Foi por Nazaré, fundando a Santa Família, que o Verbo começou a Redenção do mundo. As sociedades para serem redimidas deverão voltar para lá.


Mostraram-vos quadros horríveis da devastação das igrejas nos países invadidos; vossas almas de católicos ficaram revoltadas. Pois bem, a ruína da família cristã é um mal ainda maior. A família é o Templo dos templos. Não são essas igrejas esplêndidas, essas igrejas de pedra que salvarão o mundo, são as famílias cristãs, é NAZARÉ. E isso compreende-se. 

A família é a fonte da vida, a primeira escola da criança. Se a fonte da vida nacional for envenenada, a nação perecerá. O que queremos, é inocular nas famílias a fé e o amor do Sagrado Coração. Se Jesus Cristo for inoculado nas raízes, toda a árvore será Jesus Cristo. 

Ora, a Entronização é Nosso Senhor vindo reclamar seu lugar no lar; como outrora no fim de suas viagens apostólicas, Ele pedia hospitalidade em Betânia: lugar de honra, porque Ele é Rei e, - nós o repetimos - Ele deve reinar sobre cada família em particular afim de vir a reinar bem cedo sobre a sociedade...lugar íntimo e familiar porque Ele é Amigo e é pelo seu Coração, pelo seu Amor que Ele quer reinar. 

A Entronização é portanto de fato o Emanuel, o Jesus do Evangelho habitando ainda entre nós. (...)

Sua prática

Receber a Jesus como Rei e Amigo, colocar a imagem do seu Coração em vossa casa, no lugar de honra, como penhor sensível dessa recepção, e o alvo imediato, é o primeiro passo no caminho do vosso amor familiar com o Mestre bem amado. (...) 

É preciso que a consagração seja vivida e constitua um estado em que o Evangelho se torne a regra e como que a alma do lar.

É necessária a convivência, isto é, a vida comum com aquele Jesus que foi acolhido e festejado; é necessário convidá-lo a abençoar a aurora e o crepúsculo, a paz e a tribulação, os sorrisos e as lágrimas. (...)

Eis a ideia: um Jesus vivo no lar, um Deus Emanuel no santuário da família consagrada! (...) 

Vou mostrar-vos com exemplos o que é a consagração vivida, mais vale um fato que mil dissertações. 

Em plena guerra, uma família consagrada recebe um telegrama comunicando que o filho mais velho tombou no campo da honra. A mãe toma o despacho e depõe-no diante da imagem do Rei da casa. 

Chama seus filhos, seus empregados, toda a família, acende candelabros, traz flores e, dominando-se como uma verdadeira heroína, inicia um hino: “Jesus, nossa esperança”... Depois, todos rezam “Creio em Deus Padre”. Quando a prece termina a mãe diz aos filhos: “Sua vontade é sempre sábia e boa...Que o seu Reino venha a nós!” só então correm as lágrimas serenas diante do Coração de Jesus.
 Eis uma homenagem incomparável rendida ao Rei do amor: eis uma dor que não é da carne e do sangue, mas a do Calvário, fecunda e gloriosa. 

Numa outra família, chegam da escola as crianças com os braços carregados de prêmios e coroas. Correm para seus pais para serem abraçadas. 

“Não, diz o pai, vamos primeiro depor as coroas e os prêmios aos pés de Jesus; é Ele e não eu o Chefe da família. Beijem o seu Coração com amor depositando cada um os seus prêmios e dizendo: “Venha a nós o teu Reino. Seus pais podem desaparecer um dia, meus filhos, este Rei, nunca”.

No começo da minha vida apostólica eu tinha tido a alegria de entronizar o Sagrado Coração no lar que acabavam de fundar dois jovens da classe operária. No próprio dia do seu casamento eles tinham querido fazer entrar em sua casa o Rei Jesus. 

“Ele será, diziam, o Amigo íntimo de todos os instantes”.

Alguns anos mais tarde, o operário me chamava para ver sua mulher, gravemente enferma. O pobre quarto em que moravam, deixava adivinhar uma grande miséria; mas o que chamava logo a atenção do visitante, era uma bela imagem do Coração de Jesus, que lá estava fixada, bem à vista, no lugar de honra, e mais ainda a grande paz daquela morada. 

Depois de algumas palavras de conforto e consolação: “És muito infeliz, minha filha? Disse eu à doente.

- Infeliz? Respondeu ela com a convicção da mais viva fé, com os olhos brilhantes pelo fogo da febre, não, Padre, nós não somos infelizes! Nós sofremos, é verdade, mas choramos com Ele. Entronizando-O em nossa casa, o Senhor nos tinha dito que Ele nos consolaria em todas as nossas dores, que Ele saberia abrandar todos os nossos sofrimentos...Ele o fez, Padre!” 

E tomando pela mão seu marido que soluçava, ela lhe disse: “E tú, o que dizes? Fomos infelizes?”. 

Então, fixando o seu olhar cheio de lágrimas sobre a imagem do Coração de Jesus, ele respondeu: “Infelizes, nós? Nem cinco minutos! Sofremos bastante, oh!, sim isso é inevitável, a vida é a vida. Mas, ser infeliz é coisa bem diferente... infelizes com Jesus, nosso Rei e nosso Amigo? Nunca, nunca! Jesus vem buscar minha querida, é seu direito, que seja feita a sua vontade; mas Ele tornará logo para me buscar, a mim também; e então nós três, lá em cima, seremos felizes no céu, como fomos, os três nesta pobre choupana!” Não é sublime? Eles tinham aprendido a alta filosofia, do Evangelho: a diferença que há entre chorar, sofrer e ser infeliz.

Jornal "A Família Católica" - Edição 13, junho/2014.

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