Grupo Dom Bosco: Sermão do XXII Domingo depois de Pentecostes - Pe. René Trincado

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sermão do XXII Domingo depois de Pentecostes - Pe. René Trincado

General Gorostieta
 E disse Nosso Senhor Jesus: “Dê a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus”.
Cristo é Rei não só da Pátria celestial, senão também da pátria terrena. Por isso o patriotismo é uma virtude querida por Cristo e fomentada pela Igreja Católica. As pátrias nos foram dadas por Deus, são um presente de Deus. E Ele quer que a terra onde nascemos nos seja mais amada que as outras. O amor à pátria é um dever sagrado para os católicos, pelo que não se concebe um bom católico que não seja, ao mesmo tempo, um verdadeiro patriota. E se alguém se diz católico mas não ama sua pátria, é mais mentiroso e traidor que católico.
O dever de ser patriotas nos vêm do Quarto Mandamento e nestas palavras Cristo nos incuca: Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Esta frase de Cristo não significa a separação da Igreja e do Estado, como ouvimos até não querer mais e querem os maçons, os “católicos liberais” e os demais inimigos de Cristo. Neste país, por exemplo, faz mais de um século e meio que aconteceu o ímpio divórcio entre Igreja e Estado, e em todo o mundo os desastrosos resultados desse rompimento estão à vista. É que o demônio busca separar o que Deus uniu e unir o que Deus separou. A doutrina maçônica da separação da Igreja e Estado foi claramente condenada pelo Magistério Infalível; mesmo assim, os Papas modernistas e toda a Hierarquia da Igreja, desde o desastroso Concílio Vaticano II, a ensinam como se fosse uma verdade católica. Bento XVI disse da separação da Igreja e Estado, em certa ocasião, que “é um grande progresso da humanidade”. Francisco vai exatamente pelo mesmo caminho infernal.
No plano dos princípios e fazendo abstrações da atual crise da Igreja, se deve dizer que o Estado não pode estar separado da Igreja, não pode ser independente da Igreja. O Estado deve estar unido e submetido à Igreja, como o corpo à alma, e o mais baixo ao mais elevado. Por quê? Porque os Estados também são de Deus. Há algo que não seja de Deus? Dê a Deus o que é de Deus: dê todos os homens e todos os Estados a Deus.
E dê a César o que é de César. O César significa o poder terreno, a potestade do Estado. Quê devemos dar-lhe? Serviço material, impostos, respeito e obediência em todos os assuntos em que tem direito a exigi-la. O César também significa a Pátria terrena, e à ela se deve amor. Quando o César, como poder temporal, se opõe a Deus, o que se lhe deve é resistência e combate. Nada pode ser neutro no confronto entre um Governo e Deus. Neste caso o Governo deve ser combatido e Deus deve ser defendido, inclusive por armas, como na guerra dos Cristeros. Tal combate contra o César é em defesa de Cristo, de seu Supremo Direito de dominação, e também na defesa da Pátria, porque ela não deve estar submetida ao jugo diabólico, senão ao jugo suave de Cristo Rei.
Mas cedemos a palavra a quem compreendeu, como poucos, o que isso de dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de Cesar, o General Gorostieta, esse grande defensor dos direitos de Deus contra o César maçônico na guerra cristera. Para nós esta carta é de grande interesse, pois nela se fala desses ... bispos e sacerdotes traidores que, com ilusões de uma paz que é segundo o mundo, sob o pretexto da paz, acabam ocasionando a derrota dos que cumprem com o sagrado dever de combater pela paz de Cristo.

Desde que começou nossa luta – disse o general – a imprensa... não deixou de se ocupar... de possíveis  arranjos entre o... governo e algum outro membro... do Episcopado mexicano, para terminar com o problema religioso. Sempre que tal notícia aparece, sentem os cristeros que, na luta,  um calafrio mortal os invade, mil vezes pior que os perigos, dos quais estavam prontos para enfrentar...

Se os bispos ao tratar com o governo desaprovaram nossas atitudes... e tratam de dar uma solução ao conflito de modo independentemente do que nós desejamos, e sem dar ouvidos a uma enorme multidão que tem todos os seus interesses, se se esquecem de nossos mortos; se não consideram nossos milhares de vidas e órfãos, então levantaremos com raiva nossa voz e... rechaçaremos tal atitude como indigna e traidora...

O que nos falta em força material não pedimos aos Bispos, obtemo-lo por nosso esforço ; se pedimos força moral aos Bispos que nos faria onipotentes está nas suas mãos damo-la , apenas unificar seus critérios e orientar o nosso povo para cumprir com seu dever, aconselhando-os uma atitude digna e própria de cristãos.

Acredito que seja meu dever declarar de uma maneira enfática e categórica que o principal problema que tiveram de enfrentar os líderes desse movimento não é o de equipamentos. O principal problema tem sido e segue sendo evitar a ação nociva e fatal que provoca no ânimo do povo os atos constantes de nossos bispos, e alguns senhores padre e presbíteros.

Nós tínhamos contado com equipamentos e contingentes abundantíssimos se em vez de cinco estados da República tinha respondido ao grito de morte liberado pelo país trinta ou mais dioceses. O... poder do tirano... tinha caído quebrado ao primeiro golpe de massa... (se) os príncipes de nossa Igreja tivessem estado de acordo unicamente para declarar que: “ a defesa é lícita e em seu caso obrigatória”.

Ainda é tempo de que, ensinando-nos o caminho do dever e dando prova de virilidade, se ponham francamente nesta luta de lado da dignidade e do decoro. (extrato da carta do General Gorostieta ao Episcopado do México sobre “Os Arranjos” de paz (16-05-1929).

Estimado fiéis: aprendamos do brilhante exemplo do General Gorostieta e de todos os cristeros, a amar resolutamente a Deus e a pátria. Dar a Deus o que é de Deus: esforcemo-nos a amar ardentissimamente a Cristo e não nos movamos jamais do posto de combate que temos nesta trincheira chamada “Resistência”. Deus nos tem nela para rechaçar todo “arranjo” de acordo com os liberais e modernistas demolidores da Igreja. A fé não se negocia. Dar a César o que é de César: hoje não se nos exige empunhar as armas, mas talvez de manhã; mas todos podemos fazer, cada dia, e sem grande esforço, uma grande obra de patriotismo, de verdadeiro e santo amor a pátria. Qual? Pois ponha todos os dias a pátria nas mãos de Deus, pondo-a nas mão puríssimas e santíssimas da Santíssima Virgem Maria, mediante a reza diária do santo, milagroso, todo-poderoso e divino Rosário.

Tradução: Grupo Dom Bosco

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