Grupo Dom Bosco: A Tradição: garantia do Bem

segunda-feira, 10 de junho de 2013

A Tradição: garantia do Bem

Tradução: Gederson Falcometa

Este artigo foi escrito pelo já falecido Padre Giuseppe Pace em 1978, que depois foi publicado no volume Zibaldone (de Frei Galdino da Pescarenico, Editiones Sancti Michaelis, pg. 42-45). 
 
 
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Muitos ingleses obedeceram aos seus bispos, e tornaram-se Anglicanos, primeiro cismáticos e então, heréticos. Do mesmo modo no tempo de Ário, muitos fiéis, obedeceram aos seus bispos e se tornaram Arianos.
Eis porque não é possível meditar sobre a obediência sem ter também presente a fidelidade.
Os Apóstolos se recusaram obedecer ao Sinédrio, embora sendo o Sinédrio a suprema autoridade de todos os Judeus, e então também dos Apóstolos: ”É preciso obedecer antes a Deus que aos homens” (Atos V, 29).
Quando São Paulo, não apenas não se conformou a conduta de São Pedro, apesar da mesma estar se tornando norma de conduta universal, acolhida por personagens de primaria importância como São Barnabé: mas precisamente porque estava para se tornar norma de conduta universal, com inelutáveis consequências doutrinais, São Paulo resistiu em face a São Pedro “In faciem ei restiti, quia reprehensibilis erat” (Gal. II, 12).
É este o primeiro caso de um bispo, e qual bispo!, que se opõe abertamente ao seu Papa, e qual Papa!
Se São Paulo, pro Bono pacis, não houvesse se insurgido corajosamente contra São Pedro, uma Igreja católica não desvinculada do Judaísmo teria morrido ao nascer, nós hoje, se ainda cristãos, estaríamos sob o julgo da lei judaica, que Jesus em vão teria tentado substituir com a sua nova lei.
O Senhor permitiu tal caso, e o quis documentado na Sagrada Escritura, como aviso e exemplo para os seus fiéis, e mais vezes ao longo do decorrer dos séculos na história da Igreja, os bispos e Santos encontraram no dito episódio o paradigma da sua conduta sofrida, mas necessária e providencial.
Um dos pecados mortais que segue ex ipsa natura rei a excomunhão dos Maçons é o juramento de fidelidade que esses devem fazer mais e mais vezes, a cada novo grau da sua carreira, de obediência incondicionada as ordens que lhes serão dadas do alto.
Prometer tal obediência a um homem, por mais que esteja revestido de altíssima autoridade, é pecado intrinsecamente grave.
Incondicionadamente se obedece apenas a Deus.
Assim, obedeceu Abraão a Deus, que lhe ordenava imolar em sacrifício Isaque; assim obedeceu Nossa Senhora, uma vez que a pergunta que ela dirigiu respeitosamente ao Arcanjo Gabriel não continha uma condição, mas simplesmente uma oração para que lhe fosse concedida a luz necessária afim de iluminar-lhe ao menos os primeiros passos do novo caminho, que aceitou seguir sem outro percorrer, segundo a manifesta divina vontade.
Eis porque nas próprias fórmulas de emissão dos votos religiosos se declara explicitamente de prometer obediência aos comandos conforme as Regras aprovadas pela Santa Sé.
Todo outro comando do superior não conforme as ditas Regras são abusivas, e a obediência em tal caso não é virtude religiosa, mas covardia, se não até mesmo cumplicidade no mal.
Disto segue-se que a obediência “cega”, entendendo por cega àquela que não quer se dar conta da autoridade da ordem, não é virtude, nem religiosa, nem cristã e nem humana.
Mesmo para obedecer a Deus é preciso se dar conta de olhos bem abertos que a ordem derive de Deus: São José obedece ao Anjo porque foi certo que se tratava de um anjo e não de um fantasma de sonho natural.
Por isto se deve refletir seriamente sobre o conteúdo de uma ordem incomum, dada pela autoridade subalterna, que é outra autoridade em respeito àquela de Deus.
Mesmo hoje, de fato, não faltam lobos ávidos travestidos de pastores que, exigindo obediência para as suas disposições, distanciam a grei da fidelidade a santa Tradição, e então da Fé, começando a separar aos poucos os fiéis das tradições litúrgicas, mesmo das mais sacrossantas, quais a própria Missa apostólico-romana.
É esta a via percorrida por todos os heresiarcas e por todos os fautores de cismas.
Não podemos nos surpreender se lhes vemos a obrar sob os nossos olhos: já São Paulo o avisava aos presbíteros de Éfeso: “Ego scio quoniam intrabunt post discessionem meam lupi rapaces in vos non parcentes gregi. Et ex vobis ipsis exsurgent viri loquentes perversa, ut abducant discipulos post se.- Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho.  Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos.” (Atos, 20, 29-30) .
Talvez percebam que certas ordens estão ultimamente contrariando a santa lei de Deus pelos frutos amargos que vão produzindo.
Ao menos então, depois de tal constatação, devem recusar lhes obediência, mesmo se está atitude nos impõe ir contra a corrente, e se ir contra a corrente é incomodo, difícil, nos expõe a censura, ao isolamento e a condenação aberta.
Será uma prova de que, graças a Deus, estamos vivos: jamais se viu um peixe morto indo contra a corrente.
Todavia, não será por isto que seremos autorizados a considerar culpado o superior que a ordenou.   Pode acontecer, de fato, que lhe tenha dado por ignorância e então por zelo mal aconselhado. Se, porém, não veem retificadas ou revogadas, nem mesmo quando aparecem manifestos os frutos da ousadia que produzem, então, nos será difícil desculpar o superior que lhe foi a causa.
Se, no entanto ele também esteja com culpa, nós não podemos saber com certeza: devemos nisto entregar tudo ao juízo de Deus, e rezar para que Deus envie a quem de razões a luz necessária, e trabalhar com todas as nossas forças para deter o mal do qual nos podemos defender.
É claro que até quando a legalidade, mesmo que aparente, trabalha para o mal não se poderá trabalhar para o bem a não ser agindo fora da legalidade.
Tal foi o caso de muitos Mártires.
Às vezes pode acontecer que baste falar ao superior, para que este perceba como estão as coisas e  retifique uma ordem errada ou sem mais, a revogue. Se acreditarmos que a nossa palavra é suficiente para tanto, temos o dever de dizê-lo, em tempo devido, evitando colidir, sem o ar e o animo de querer repreender, mas apenas para iluminar.
Outras vezes a ordem pode ser irracional, mas segui-la não comporta nem ofensa a Deus nem perigo para as almas.
Então, se consideramos inútil a nossa palavra para que ela seja revogada, a executaremos, unindo-lhe a penitência, que comporta a execução de uma fadiga inútil, a Paixão do Senhor, e seguros que de tal modo se tornará uma fadiga útil, utilíssima, e lhe derivará por fim um bem.
Plantaremos então os repolhos de cabeça para baixo?
Certamente, e com obediência interna.
Que quero dizer?
Que nos convençamos que plantá-lo de tal modo seja demonstrado o modo cientificamente melhor para ter o máximo rendimento?
Não, certamente; mas que o divino Redentor, a qual obediência associamos a nossa, saberá obter da execução daquela ordem errada um bem maior daquele que teríamos obtido se houvéssemos obtido a revogação da mesma.
Eis a adesão interna!
Não a irracionalidade do comando, mas a execução do mesmo qual como complemento da Paixão redentora do Senhor.
Mesmo a obediência do Senhor, enquanto obediência aos seus inimigos, aos seus crucificadores, foi obediência a toda uma série de ordens injustas, e por isso muitas vezes irracionais: e todavia qual fruto lhe derivou!
Mesmo no caso dos repolhos plantados de cabeça para baixo, uma obediência cega, isto é uma execução puramente mecânica, esta fora de questão: resta uma obediência duplamente vigente, que se vê com o olho da razão e com o olho da fé, que age a luz da razão e a luz da fé.
Que dizer das normas dadas a qualquer comunidade ad experimentum ?
O experimento se faz para saber se uma certa norma é apta ou ao mesmo favorece a perseguição de um certo bem.
Não tem ainda por objeto o bem comum certo, por isso não pode ser objeto de lei e a norma que o prescreve não pode ter caráter de lei.
De fato, diz-se lei daquele ordenamento conforme a reta razão promulgada pela legítima autoridade, tendo por objeto certo bem, isto é, certamente adequado ao bem comum.
Ora, dita certeza falta até quando o experimento não tenha dado êxito positivo. Somente depois disso poderá se tornar lei. Antes disso não se pode impô-lo a comunidade enquanto tal: se pode propô-lo a qualquer voluntário, disposto a fazer a cobaia do experimento na esperança de contribuir em certo modo para o bem comum, pelo menos evitando à comunidade as consequências da adoção de uma norma danosa.
De qualquer modo, se deverá solicitar ao fim do experimento, seja porque é mais difícil ver em uma disposição havendo caracteres de experimento a vontade de Deus significada, especialmente se dita disposição aparece em contraste com as normas tradicionais, nas quais ele tinha visto e venerado até então; seja porque ninguém pode aspirar a embarcar-se em uma barca ainda sob experiência, e que, portanto, não se sabe se irá navegar ou naufragar.
 Não só uma norma em experiência e em vista de ser adotada como lei, mas a própria lei, tendo como objeto um bem verdadeiro e indubitável, se si apresenta como nova, levanta desconfiança e repugnância; enquanto uma norma tradicional, e tornada portanto costume, suscita confiança e docilidade espontânea.
Por isto toda mudança de lei constituí um trauma no corpo social a evitar-se o quanto possível, como se busca de evitar uma intervenção cirúrgica perigosa, até quando não se apresente como absolutamente indispensável.
Por isso mesmo, somente quando a lei antiga se revelasse gravemente danosa ao corpo social, de tal modo a desagregar-lhe a estrutura, subvertendo aquela ordem que deveria constituir; e a suscitar sérias inquietudes e depois abertas rebeliões generalizadas também por parte dos mais observadores; só então seria ab-rogada.
Que se depois de qualquer ab-rogação de uma lei antiga se manifestasse no corpo social um mal estar qualquer antes desconhecido, ou um mal estar já existente e que se queria mitigar e que ao invés recrudesceu de modo alarmante, isto indicaria que a dita ab-rogação não era necessária, que foi feita de maneira inconsulta, que, portanto, juridicamente é nula: consequentemente a antiga lei permanece ipso facto se ipsa em vigor, sem a necessidade de repromulgação formal.
A Tradição é garantia de bem; as inovações participam muito amiúde em medida mais ou menos relevante da rebelião de Satanás. Por isso Satanás odeia a tradição e impulsiona a inovações, difundindo uma subdola infecção, muito contagiosa e causa de um irresistível prurido: o prurido da reforma.
Aos seus mais íntimos, Satanás confia abertamente os seus projetos e fala de reforma e de revolução; aos outras fala simplesmente de “aggiornamento”. Aggionar-se  quer dizer deixar o velho pelo novo. Afim de que isto se concretize Satanás substitui as categorias de bem e de mal, as categorias de novo e de velho. Bem é novo, porque novo, ainda que de fato seja mal; mal é velho, apenas porque é velho, mesmo se de fato é bom e ótimo. Assim, induzindo a aggiornar-se, induzindo a deixar o velho, induz-se a sair do caminho e a fazer o mal.
Para não cair na “armadilha” de Satanás, é preciso ter sempre presente que a lei de Deus é velha e muito antiga, é eterna! E que os seus mandamentos, apesar de velhos e muito velhos, são a via indispensável ao Paraíso. Qualquer outra lei, que não tenha razão de lei, e não seja iniuria, deve ser conclusão ou determinação da lei de Deus, e se não o é, é abusiva e vem de Satanás.
Existem aqueles que exigem dos fiéis, do clero, dos religiosos, uma conversão, que prefiro chamar metanóia, radical e permanente; porque tal seria a vontade de Deus, expressa por João Batista lá onde diz: “Convertei-vos e credes no Evangelho” (Marcos 1,5), e porque só de tal modo se pode nos adaptar, come é de dever, aos tempos que mudam.
Mas João Batista pregava à conversão do pecado a vida da graça, e não vice-versa, enquanto o adaptar-se aos tempos poderia significar propriamente o contrário, se por tempo não se entende a simples medida de um movimento, mas a história humana que se desenvolve no tempo.
De fato os pregadores da metanóia radical e permanente miram a destruir nos corações o senso do pecado, a inculcar neles o relativismo moral, que nega toda distinção entre bem e mal; a induzir as pessoas a obedecerem a Satanás, príncipe do mundo e artífice último de todas as ruindades que se cometem. Se apelam ao Evangelho para aparecer embaixadores de Deus, e exigem obediência em nome de Deus, enquanto miram impor a todos o julgo tirânico de Satanás.
Existem aqueles que exigem dos fiéis, do clero, dos religiosos, uma conversão, que prefiro chamar metanóia, radical e permanente; porque tal seria a vontade de Deus, expressa por João Batista lá onde diz: “Convertei-vos e credes no Evangelho” (Marcos 1,5), e porque só de tal modo se pode nos adaptar, come é de dever, aos tempos que mudam.
Mas João Batista pregava a conversão do pecado a vida da graça, e não vice-versa, enquanto o adaptar-se aos tempos poderia significar propriamente o contrário, se por tempo não se entende a simples medida de um movimento, mas a história humana que se desenvolve no tempo.
De fato os pregadores da metanóia radical e permanente miram a destruir nos corações o senso do pecado, a inculcar neles o relativismo moral, que nega toda distinção entre bem e mal; a induzir as pessoas a obedecerem a Satanás, príncipe do mundo e artífice ultimo de todas as ruindades que se cometem. Se apelam ao Evangelho para aparecer embaixadores de Deus, e exigem obediência em nome de Deus, enquanto miram impor a todos o julgo tirânico de Satanás.
Somente a fidelidade a Santa Tradição nos permitirá subtrair-nos a tal pesado e infame julgo, para conservar sobre as nossas costas aquele Daquele que disse: “O meu julgo é suave, e o meu fardo é leve”  - Iugum enim meum suave est, et onus meum leve  – (Mt. 11, 30).

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